domingo, 12 de fevereiro de 2012

A irresponsabilidade dos palpiteiros

Há um ano, quando começaram as revoltas no Egito que descambaram na queda do ditador Hosni Mubarak, todos os irresponsáveis da imprensa ocidental disseram à uma que se veria ali o florescer da democracia. Alguns, mais comedidos mas mesmo assim animados, afirmavam que as coisas tenderiam a melhorar, porque, ao fim e ao cabo, tratava-se de uma ditadura na qual se colocava um ponto final.

Os visionários de sempre, remando contra o bom-mocismo vigente, afirmaram o óbvio: ninguém sai de sua casa por espontânea vontade, ainda que tenha sido chamado pelo facebook e não por sinais de fumaça, para depor um governo, qualquer que seja ele. A deposição de um governo é sempre um ato orquestrado, concertado e conduzido por quem quer o poder. As massas, aí, fazem o papel de sempre: justificam a tomada do poder por quem realmente o quer.

Agora que o bicho está pegando com a matança de cristãos, brigas generalizadas e a ascenção da Irmandade Muçulmana ao poder do Egito, o que dizem os sábios apoiadores da Primavera Árabe? Ora, que o negócio descambou, que não deveria ser ser assim, etc e tal.

Mas afinal de contas: de que servem analistas que não conseguem analisar? Quem não sabia que a Irmandade Muçulmana regia e ainda rege os acontecimentos no Egito?