segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Breves notas sobre a liberdade de manifestação do pensamento em escolas confessionais

Recentemente, veio à balha a história de um professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná que, em sala de aula, havia comparado a hóstia à maconha, dizendo: ...“a eucaristia é um baseado, que o padre vai passando de mão em mão… É uma droga lícita…".
Não me impressiona a existência de pessoas que tenham a capacidade de dizer coisa semelhante a esta, pois, se Deus foi generoso num ponto, o foi ao conceder ignorância quase ilimitada a certos indivíduos. Causou-me desconforto a resposta da própria PUC/PR, para quem: "A universidade é um lugar de debate e de discussões da ciência, que preza pelo pluralismo ético, filosófico e religioso, características que fazem parte do que é ser acadêmico”.
Sem sombra de dúvida, afirmo que a aludida declaração poderia ser feita por qualquer reitor do mundo, exceto por aqueles que dirigem instituições de ensino confessionais.
E isso, e aqui entro especificamente no ponto, porque as escolas confessionais têm... uma fé, ora bolas!
De fato, não é possível admitir que determinado professor da Escola Adventista, por exemplo, chegue à sala de aula e diga algo contrário à crença dos adventistas. Nem seria conveniente que numa escola judaica se permitisse que o professor pregasse ideias contrárias ao judaísmo. E assim por diante.
A liberdade de expressão vale da porta para fora. E não da porta para dentro. Da porta para dentro de uma escola católica valem os dogmas católicos! E quem não gostar que vá ministrar ou receber aula em outro lugar!
Confundem-se, ao se dizer que a liberdade de manifestação do pensamento garante esse tipo de comportamento (a liberdade de contrariar um dogma católico dentro de uma universidade católica), dois âmbitos da aplicação dos direitos fundamentais (aqui se trata do direito fundamental à liberdade de manifestação do pensamento). Mistura-se o direito que as pessoas têm de falar o que querem, desde que o façam num ambiente público, com aquele que elas não têm de manifestar opiniões contrárias às das instituições religiosas que bem ou mal representam e que lhes pagam os salários.
Ninguém é obrigado a ser católico. A despeito do que muitos desavisados dizem por aí, nem na Idade Média europeia se era. No entanto, se determinada pessoa se dispõe a ministrar aula numa instituição de ensino católica, é óbvio que haverá de atender ao requisito mínimo; qual seja: portar-se respeitosamente diante dos dogmas católicos.
Se quer falar mal da hóstia ou do Papa, que o faça! Fora da PUC/PR, claro! Que vá plantar suas ideias em outras terras!