segunda-feira, 30 de julho de 2012

Um pouco de literatura - Sobre Stendhal


Stendhal. Um nome estranho. Pareceu-me muito estranho alguém chamar-se Stendhal. Com o passar do tempo, descobri que seu nome verdadeiro era Henrique Maria Beyle; ou Henry-Marie Beyle, como preferiram seus pais franceses.
Comecei a me interessar pelo autor de nome esquisito depois que soube que era o ídolo literário de Tomasi di Lampeduza. Como sou fã de Tomasi de Lampeduza, achei que também o seria de Stendhal.
Não me arrependi de iniciar a leitura de seus livros.
Ainda não terminei a d’A Cartuxa de Parma, mas, sinceramente, é uma obra excelente, das melhores com as quais me deparei, em que a vida de personagens fascinantes, como o são quase todos os que a integram, encontra-se entremeada à política e à vaidade dos políticos e dos áulicos das cortes de Milão e Parma.
Ao ler sobre um príncipe despótico e desconfiado, que procura inimigos até embaixo do colchão, sobre os ministros desse príncipe que se odeiam e tudo fazem para agradar ao soberano, notei uma série de semelhanças entre as personagens do livro e algumas que conheci no transcorrer da minha própria vida.
Eis o que é interessante: identificar tipos nos livros de ficção que poderiam facilmente ser encontrados nas esquinas, ainda que hoje não tenhamos cortes nem príncipes; mas, mesmo assim e contraditoriamente, haja muitos cortesãos.
A personagem principal, Fabrício Del Dongo, é um sujeito altivo e inocente, cujas travessuras o colocam sempre em maus lençóis. Só que ele, porque nobre e porque amado, livra-se – com certa dificuldade, mas, enfim, livra-se – dos enroscos em que se mete, sempre o fazendo com charme e com a ajuda daquela sua parenta que o adora tanto.
Enfim, é uma obra fascinante, passada na Itália à época de Napoleão. Fase de transição política na qual as monarquias caiam como peças de um mesmo dominó, cedendo espaço para as repúblicas modernas – nas quais, olha que interessante!, ainda há príncipes, cortes e cortesãos.
A quem interessar a alta literatura, recomendo vivamente.