domingo, 7 de setembro de 2014

Religião não é atraso. Laicismo não é progresso.

Não votaria em Marina Silva ainda que ela concorresse sozinha. Não gosto de seu messianismo. Não gosto daquele seu obamismo jeca. Não gosto de suas frases ininteligíveis. Mas uma parte dos esclarecidos parece gostar. Se essa parte for a maior, que venha Marina, a política que finge odiar a política.
Minha aversão ao que representa Marina Silva, no entanto, não me permite aderir às críticas segundo as quais montará um califado no Brasil. Ela não o fará. Todos têm convicção de que não o fará. Só que querem porque querem retirar do campo político algo que é político por excelência: a religião do povo. E o ataque a Marina é o meio atual de fazer isso.
Qualquer zumbi sabe que a laicidade estatal não quer dizer que a religião tenha de afastar-se das discussões políticas. Aliás, qualquer energúmeno tem plena consciência de que a política não se compõe de demonstrações silogistícas, mas de discursos persuasivos que levam os ouvintes para cá ou para lá. E por que tais discursos não poderiam considerar o que há de religioso no povo? Seus valores, suas crenças? Porque os jacobinos tardios querem impor a opinião de que religião é atraso; que o Estado tem de ser laico obrigatoriamente para que haja liberdade. Dois exemplos demonstram o erro que está implícito no raciocínio daqueles que criticam a religiosidade de Marina, pelo simples fato de ela confessar-se religiosa: um, o da Inglaterra, que é um estado – pasmem! – confessional; outro, o da China, que é um estado leigo. Quem tem dúvida sobre em qual desses países há mais liberdade, que compre uma passagem só de ida para a China, um belíssimo estado laico, gerido pelas regras científicas do marxismo orientalizado de Mao.

Àqueles que criticam Marina pela simples razão de ela confessar-se religiosa, digo o seguinte: deixem de ser bocós. Religião não é atraso. Laicismo não é progresso.