sábado, 21 de abril de 2012

OAB, Substantivos Abstratos, Passeatas e Pamonhas


Hoje, organizam-se passeatas e abaixo-assinados contra tudo o que há de errado no mundo.

Só que andei reparando numa coisa que a mim me pareceu interessante: sempre as passeatas são feitas contra substantivos abstratos. Hoje, por exemplo, a OAB promoverá uma marcha contra a corrupção.

Alguém aí já imaginou uma marcha a favor da corrupção?

Bom, se não conseguiu imaginar, é porque a OAB está com o foco errado.

De fato, pessoas sérias não fazem marchas contra a corrupção; mas marchas contra os corruptos, denominando-os e expondo o que fizeram de errado. Dou um exemplo recente: na marcha dos caras-pintadas, os jovens – manipulados ou não – foram às ruas contra o Presidente Fernando Collor, e não contra uma abstração qualquer.

Há-se de dar nome aos bois, chamando os corruptos de corruptos e dizendo por que o são; o resto é empulhação pura e simples, ou, na mais benevolente cogitação, desperdício de tempo e dinheiro.

Em outras palavras: enquanto não se descer do olimpo dos substantivos abstratos em direção à baixeza dos substantivos concretos, as coisas permanecerão como estão. Ou alguém já viu um substantivo abstrato ser processado, preso e impedido de atuar na vida política porque recebeu propina?

De qualquer forma, da conduta dos caciques da OAB só extraio duas possibilidades: ou eles sabem o que fazem, e o fazem para jogar para a torcida e dar uma explicação para a sociedade (outra abstração) sem se comprometer efetivamente na luta contra os corruptos, talvez porque o sejam também; ou são uns pamonhas.

Em favor da primeira tese, temos a baixa qualificação moral e intelectual dos líderes da advocacia. Quem já ouviu algum discurso do Sr. Ophir sabe do que estou falando. Aliás, ele mesmo é acusado de receber salários indevidamente de seu estado de origem. O homem é o verdadeiro picolé de chuchu, sempre bradando contra substantivos abstratos e ideias malvadas, sem nunca se comprometer com o combate efetivo que a OAB haveria de fazer contra os corruptos.

Só para ficar no último episódio desconcertante, que foi a briga entre os Min. Peluso e Joaquim Barbosa, o que fez a OAB? Nada. Ora, se Peluso realmente manipulou julgamentos, como acusa Barbosa, tem de responder por isso, porque é crime de responsabilidade. Se Peluso não manipulou julgamentos, quem tem de ser processado e condenado por calúnia é o Min. Joaquim Barbosa. De um jeito ou de outro, nós, advogados e cidadãos, estamos nas mãos de um criminoso ocupando a cadeira do Supremo. Criminoso contra quem a OAB nada fará.

Como dou o benefício da dúvida aos líderes da advocacia, recomendo-lhes: vão fazer pamonha! Saiam daí! Parem de jogar dinheiro fora!